20 setembro 2016

O "Whist"

"PLaying the whist", Boris Kustodiev, 1905

“ …Schwarz não descera. Esperava-o no patamar. Piotr Ivanovitch percebeu logo o que o retinha: queria combinar o local onde pudessem, mais tarde, jogar uma partida de whist…

…. Compreendeu que Schwartz pairava acima daquelas coisas, e não se entregava a impressões acabrunhantes. O simples aspecto dele dizia que o incidente do funeral de Ivan Ilitch não teria força bastante para alterar o a ordem dos acontecimentos, isto é, nada o impediria de pegar no baralho, à noite, e embaralhar as cartas, enquanto um criado colocava velas novas na mesa; em suma,  não havia motivos para supor que as exéquias iriam impedi-los de passar o serão agradavelmente, como sempre o faziam. E foi, aliás, o que ele sussurrou a Piotr Ivanovitch, convidando-o a participar numa partidinha em casa de Fiódor Vassílievitch.

Mas, segundo parece, o destino não traçara para  Piotr Ivanovitch, naquela noite, um jogo de cartas …”

... Na nova cidade, a vida de Ivan Ilitch também se organizou muito agradavelmente: a sociedade que se opunha discretamente ao governador era amável e coesa, o ordenado era mais alto, e iniciou-se no whist, mais uma fonte de prazer, pois era um jogador nato, sabendo enfrentar os riscos com bom humor, raciocinando com prontidão e esperteza as suas jogadas e, por tal, sempre bem feliz nos ganhos..."

in "A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi

Um comentário:

Manuel Nunes disse...

Li esta tarde, gostei muito.