17 novembro 2016

MORTE E VIDA SEVERINA


Ontem, lendo as primeiras narrativas de Vidas Secas, lembrei-me de Morte e Vida Severina (1955), de João Cabral de Melo Neto, texto muito lido e comentado nos meus círculos juvenis de finais de sessenta. O exemplar aí em cima foi comprado no Centro do Livro Brasileiro – R. Rodrigues Sampaio, 30-B, Telef. 46470, Lisboa –, conforme etiqueta colada na última página. “Auto de natal pernambucano”, assim se diz em subtítulo. Na verdade, a história de um retirante em direcção ao Recife, acossado pela miséria e a fome – uma “vida seca”.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

Um comentário:

Custódia C. disse...

"Morte e Vida Severina", poema/romance ou romance/poético... Texto poético belíssimo, isso sim :)